18 Dec 2018

Guia de sobrevivência ao Natal

Pedro Carvalho

Ponto prévio: O que nos engorda é o tempo que vai da Passagem de Ano até ao Natal e não o Natal à Passagem de Ano!

Ainda assim, de que forma é que podemos desfrutar da época natalícia sem acrescentar uns quilos à balança?

Reduzir a quantidade de açúcar das rabanadas, aletria, arroz doce, sonhos e afins e trocar o bolo-rei por bolo-rainha são sempre boas opções, mas melhor mesmo é aproveitar os dois dias de Natal sem grandes preocupações com a alimentação. O principal “drama” associado ao Natal, reside no autêntico buffet de sobremesas que pode habitar nas nossas casas quer antes, quer depois de dia 24 e 25 e no périplo de jantares de Natal (empresa, grupo de amigos A, grupo de amigos B, etc..) que sempre acontece nesta altura. Aliás, nesta altura do ano por mais “inofensiva” que seja a situação ou o contexto é bem provável que acabe a comer uma rabanada ou uma fatia de bolo-rei!

Na prática os abusos cometidos no jantar de dia 24 e durante todo o dia 25 podem não ser muito diferentes de um típico fim-de-semana onde se junta a jantarada com amigos de sábado à noite com o almoço/brunch/lanche de família de domingo.

Como tal, a abordagem de cada pessoa a esta época é de fundamental importância para perceber como flutuará o seu peso. Quem o encara como “são dois dias de desgraça e acabou” estará sempre no bom caminho! No entanto, para quem dá consultas é certo e sabido que Novembro e Dezembro são os meses com menor afluência de pacientes, até porque “ninguém vai começar uma dieta quando vem aí o Natal”, pensamento que já pressupõe que o Natal é todo um mês de abusos, quando deveria ser apenas em dias pontuais.

Aqui ficam então algumas sugestões para se fazer um bom “controlo de danos” natalício:

  •  Não cair na tentação de comer doces “não natalícios”. De certeza que irá receber muitas caixas de bombons e chocolates, mas face à fartura de sobremesas que existe na mesa, guarde-os para outras alturas do ano;
  •  Evite igualmente juntar mais calorias líquidas nestas refeições. Acompanhá-las com um bom vinho fará todo o sentido, mas para quem dele não gosta, acrescentar mais açúcar proveniente de sumos e refrigerantes é totalmente evitável;
  • Tente colocar no mesmo prato um “rodízio” de sobremesas. São as primeiras exposições ao alimento que despoletam em nós o sentimento de recompensa por isso, provando apenas uma pequena amostra de todos os doces, reduz o seu aporte calórico e retira o mesmo prazer;
  • Se não trabalhar no dia 24, aproveite os vários convívios temáticos desportivos que costumam ser realizados nesta manhã. Caso não consiga, dia 26 é sinónimo de voltar às rotinas normais que pressupõe alimentação equilibrada e exercício físico;
  • Se já sabe que não consegue resistir aos doces, evite os hidratos de carbono ao longo desse dia. O pão nem sequer deve ir para a mesa ou fazer parte do pequeno-almoço, e use e abuse das hortaliças e legumes a acompanhar o bacalhau evitando a batata;
  • Não abuse dos frutos gordos (amêndoas, avelãs, nozes, etc.) nesta altura do ano. Até podem ser boas alternativas para outras alturas, mas quando o número de convívios aumenta, mesmo os alimentos com “boas” gorduras devem ser evitados por são muito calóricos.
  • Caso receba vários cabazes/presentes comestíveis das suas empresas/clientes/amigos, tente oferecer igualmente os produtos que não precisa às muitas instituições que deles precisam. Se nesta quadra recebeu 5 bolos-rei ou queijos da Serra não precisa de os colocar todos na mesa!

Por isso, o Natal não tem ser light, tem de ser Natal!

Mais do que nunca, nesta época é sempre importante relativizar as calorias e a “linha”. Se existem muitos jantares de natal da empresa e amigos, e abundância de doces na consoada, é sinal que existe emprego, família, amigos, casa e condições para uma mesa farta. Fossem esses todos os nossos “problemas”.

Um Feliz Natal a todas as leitoras.

Pedro Carvalho Nutricionista

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