28 Apr 2019

Como controlar a alimentação em viagem

Pedro Carvalho

Seja em férias ou em trabalho, as viagens são sempre obstáculos à perda de peso ou aumento de massa muscular por alterarem as rotinas normais do treino e da alimentação. Partindo sempre do pressuposto que a máxima: “dieta em férias, estraga as férias e estraga a dieta”é para ser levada a sério, existem sempre formas de controlar os danos nestas fases:

– Resistir ao buffet de pequeno almoço– ovos, queijo, iogurte e leite magros, fruta e pão escuro serão sempre as opções a privilegiar para atingir uma boa ingestão proteica que dê para toda a manhã. Quanto à quantidade de hidratos de carbono é logicamente diferente para os “mochileiros” que poderão fazer 10 a 20 km por dia a pé em visitas do que para quem ficará entre praia e piscina todo o dia. Se apanha um buffet com muitos bolos e sobremesas incríveis, divida o mal pelas aldeias e experimente um por dia, em vez de andar todos os dias a comer um prato cheio deles;

– Faça as asneiras valerem a pena– que é o mesmo que dizer que convém que sejam as iguarias típicas do local onde está de férias. Seja o peixe grelhado, o marisco, o pão alentejano, a comida oriental ou as pizzas e pastas. Não “gaste créditos” calóricos em erros alimentares completamente desprovidos de ligação cultural à gastronomia local. 

– Ande com o seu “kit de sobrevivência” atrás– seja na praia, em trabalho ou em passeio, convém não passar muito tempo sem uma boa ingestão proteica e sem hidratar convenientemente. Por isso ter sempre consigo água, fruta, barras proteicas (atentando à quantidade de gordura e açúcar que possuem) ou até o seu shaker com proteína em pó, são sempre alternativas práticas e válidas para aquele período muitas das vezes excessivo que passa entre almoço (algumas vezes até pequeno-almoço) e jantar.

Quando estamos a falar de viagens curtas ou viagens de “mochila às costas” onde já se anda muito a pé, a questão do treino pode não ser tão fácil de incorporar quer pelo pouco tempo disponível, quer pelo cansaço que já existe nessas viagens. Por outro lado, quando a viagem é em trabalho ou num destino de “papo para o ar”, existem condições para manter os hábitos de treino. Escolher hotéis com ginásio é sempre uma boa opção para facilitar essa logística ou caso não seja possível, é melhor um “treininho mentiroso” mais à base de corrida e exercícios com o peso corporal do que não haver treino nenhum.

Principalmente quem é obrigado a passar muito tempo fora em trabalho, convém assimilar estas rotinas. As refeições fora de casa tornam-se numa rotina quase diária e não dá para estar constantemente em “modo férias” e aproveitar a alimentação da mesma forma. Os snacks proteicos, fruta e frutos gordos (amêndoas, avelãs, nozes, etc.) são bastante úteis, mais equilibrados (e mais baratos) do que grande parte das opções existentes nos aeroportos. Para além disso, a existir algum momento onde alguém com uma alimentação genericamente equilibrada beneficiasse de fazer um suplemento multivitamínico (que não ultrapasse os 100% da dose diária recomendada de cada nutriente), seria mesmo nestes dias em que devido às viagens e horários desajustados não foi possível ingerir fruta, legumes e sopa nas quantidades habituais.

Pedro Carvalho – Nutricionista

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